
Foto de Masao Goto Filho
Encontrei neste fim de semana uma prima querida, que depois de 18 anos vivendo na Espanha, acaba de retornar para terras tupiniquins. Depois de um abraço apertado, a primeira frase que me disse foi: “me disseram que você se tornou um mãezona. Como o mundo dá voltas, logo você!”. Pois bem, logo eu.
A frase foi dita sem nenhum tom de deboche, apenas de surpresa, porque quem me conhece (bem) sabe que ser mãe não fazia parte de meus planos. E, não era da boca para fora: eu realmente nunca pensei na maternidade com muita seriedade. É verdade também que eu nunca a descartei completamente, mas há cerca de três anos, se alguém lesse o meu futuro e me dissesse que eu seria hoje essa mãe babona que eu sou, minha resposta seria uma sonora gargalhada.
Mas eis que o futuro se concretizou: tenho um filho de dois anos e cinco meses que a cada dia me dá mais certeza de ter feito a escolha certa quando decidi seguir com minha gravidez. Só agora, com quase dois anos e meio, é que ele ensaia as primeiras palavras e frases. Não sei se foi a prematuridade, o lábio leporino, a fenda palatina – ou a combinação de tudo isso – que prorrogaram o início da fala, mas o fato é que agora, a cada palavra que ele diz, parece uma vitória minha.
Esta semana, por exemplo, quando foi tomar o lanchinho da manhã, perguntei se ele queria morango ou carambola e literalmente chorei de rir quando ele respondeu “rrr ambola”. Imediatamente perguntei para a minha ajudante se ela tinha ouvido, que confirmou rindo. Repeti a pergunta ao Victor e mais uma vez ele disse a primeira síbala como uma espécie de “r repetido” emendado com o “ambola”. Para você, que está lendo este post, isso pode parecer uma besteira, e deve ser mesmo. Mas são coisas como essa, que se repetem no dia a dia, que me fazem ter orgulho da escolha que eu fiz.