Se você acha banheiro de avião descorfortável, imagine usá-lo segurando um bebê de pouco mais de um ano no colo. Pois eu posso garantir que não é impossível embora seja bastante desajeitado. Fiz essa experiência em maio, quando eu e Victor viajamos de férias para o Recife, na casa de uma das tias dele. Como o pai dele virou um pequeno empresário, ficou muito difícil viajarmos os três por períodos longos. Mas eu, que tive um ano realmente estafante: a volta ao trabalho, as duas cirurgias do Victor e as perdas na minha família, não esperei nem um dia além do necessário para desligar o computador e arrumar as malas.
As três horas de viagem até que foram tranqüilas, ainda mais que decidi tomar um vôo noturno para que o Victor pudesse ir dormindo. Tirando o atraso de quase duas horas para o embarque, tudo foi tranqüilo. Para viajar com criança de colo, o melhor é escolher as poltronas da frente: tem mais espaço e não é necessário esperar todo mundo desembarcar.
O Victor, como o lorde que é, se comportou muito bem. Mamou enquanto decolávamos e imediatamente caiu no sono, acordou um pouquinho antes de aterrissarmos, mas ficou ali, quietinho, observando tudo. Duas senhorinhas muito simpáticas ficaram horrorizadas quando perceberam que eu fui ao banheiro com ele no colo. Mas, como mãe-coruja que sou, não deixaria meu filho com estranhos, por mais cara de inofensivos que tenham.
Já em terra firme, e depois de uma boa noite de sono, fomos conhecer a cidade. Como meu filho adora dias claros, o primeiro foi um pouco decepcionante, pois uma chuvinha insistia em cair. Mas não forte o suficiente para nos segurar. Passamos pela avenida da praia rumo a Olinda, com a tia Ciça no volante no melhor estilo guia turístico. Não precisei andar muito pelo centro histórico para descobrir que crianças, ou melhor, bebês, não gostam de ter contato com o lado histórico do mundo. Ainda não. Se não tiver algo perdido entre os paralelepípedos para que eles possam sentir na mão e colocar na boca, nada feito. Ficar no carrinho, então, impossível. O Victor deixou isso muito claro nas várias tentativas de se soltar das cordinhas que o amarravam no meio de transporte.
Nesses casos, o melhor mesmo é ir com alguém que possa ficar com a criança enquanto a mãe visita as inúmeras lojinhas de artesanato local. Porque afinal, parece que as crianças percebem antes dos adultos que todas são apenas variações dos mesmos objetos. Na segunda loja o Victor já queria explorar outros ambientes e só sossegou quando a boa tia o pegou no colo e o distraiu com uma água de coco. Para deixá-lo feliz mesmo, só no dia seguinte, quando o sol deu o ar da graça e pudemos passar algumas horinhas na areia, com muito protetor solar e repelente – o mosquito da dengue também estava arisco no Recife.