de repente mãe

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Do berço para a escola

Agosto 1, 2008 · 5 Comentários

Foto de Masao Goto Filho

Sempre disse que só queria mandar meu filho para a escola depois que ele aprendesse a falar. A fala, para mim, era o delimitador da independência. Falando, o Victor saberia me contar como foi o dia, se estava tudo bem, se algum amiguinho – mesmo que sem querer – o tinha machucado. Portanto, não foi sem certa frustração que mais uma vez tive que deixar de lado o que eu queria para o que será melhor para ele.

Pois é, o Victor começou freqüentar a escolinha, Jardim Escola Esquilinho, mal completou um ano e sete meses e lá vai ele para o Maternal I, com outras nove crianças com a mesma idade, um pouquinho mais velhos ou um pouquinho mais novos. De igual, o fato de estarem cortando mais um pedacinho do cordão umbilical (imaginário) que os une às mães. Para ele, observador que é, tudo é novidade. Ensaiou alguns passou e aventuras pela cabana de bolinhas, mas sempre me procurando com os olhos. Se alguma criança se aproximava de mim, mesmo sem querer, lá vinha ele e me abraçava pelas pernas.

O motivo da antecipação foi a sociabilização. Como ele só convive com adultos, as crianças só quando vai à pracinha, a pediatra e a fonoaudióloga, que ele convive desde que fez a primeria cirurgia do labiozinho, acharam que a ida para a escola poderá ajudá-lo a desenvolver mais rápido a fala. Como em casa ele tem uma rotina, com horário para tudo, ele não sente tanta necessidade de pedir. Na escola será diferente.

Confesso que não foi fácil só observar. Assim como eu, outras mães estavam ali, rodeando seus “pintinhos”, torcendo para que ficassem bem, desde que mostrassem um pouquinho de saudade. O primeiro dia de adaptação foi sossegado: pouco mais de duas horas com os pais bem à vista. Eles brincaram, tomaram lanche e brincaram mais. Na segunda etapa, o Victor já estava enturmado, interagindo na sala de brinquedos. Tão tranqüilo que eu até consegui me afastar para tomar uma água longe dos seus olhos.

No segundo dia, o pai é que o acompanhou e ele ficou ainda mais tranqüilo, saudavelmente ignorando a sua presença. Brincou, interagiu (um pouco) e só ficou um pouco ansioso na hora do lanche: com tantas variedades de comidinhas, ele quase não conseguiu se concentrar nas frutinhas que levou.

Mais um dia e meu filho já está completamente independente. foi para a areia e me abandou na sala da diretora, bem longe de seu campo de visão. “Se houver algum problema, nós levaremos ele até você”, me disse a coordenadora. Fui embora no meio da tarde e a babá ficou ali, na espreita. Ele não só não apareceu enquanto estive presente, como só se deu conta que a babá estava ali quando era a hora de ir embora. Bem, disso tudo tiro a conclusão de que meu filho se torna cada vez mais independente, o que me deixa extremamente tranqüila. É claro que fico com a pulga atrás da orelha quando a professora pergunta da chupeta. Chupeta? Por quê? Penso comigo, se ela pensou em chupeta é porque ele chorou, e ao contrário do que ela me disse, não me ligou. Mas em seguida ela tenta me tranqüilizar: ele sentiu sono e ela pensou que seria mais fácil para dormir com uma chupetinha – que ele não tem.

De qualqiuer forma, esta foi a escola que escolhemos depois de visitas surpresas e com hora marcada em várias escolinhas próximas de casa. foi a que achei que melhor acolheria meu filho, e aparentemente, eu não estava enganada. O círculo de convívio está aumentando. E quer saber, acho que será ótimo para o Victor.

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A primeira viagem de avião

Julho 16, 2008 · 3 Comentários

Se você acha banheiro de avião descorfortável, imagine usá-lo segurando um bebê de pouco mais de um ano no colo. Pois eu posso garantir que não é impossível embora seja bastante desajeitado. Fiz essa experiência em maio, quando eu e Victor viajamos de férias para o Recife, na casa de uma das tias dele. Como o pai dele virou um pequeno empresário, ficou muito difícil viajarmos os três por períodos longos. Mas eu, que tive um ano realmente estafante: a volta ao trabalho, as duas cirurgias do Victor e as perdas na minha família, não esperei nem um dia além do necessário para desligar o computador e arrumar as malas.

As três horas de viagem até que foram tranqüilas, ainda mais que decidi tomar um vôo noturno para que o Victor pudesse ir dormindo. Tirando o atraso de quase duas horas para o embarque, tudo foi tranqüilo. Para viajar com criança de colo, o melhor é escolher as poltronas da frente: tem mais espaço e não é necessário esperar todo mundo desembarcar.

O Victor, como o lorde que é, se comportou muito bem. Mamou enquanto decolávamos e imediatamente caiu no sono, acordou um pouquinho antes de aterrissarmos, mas ficou ali, quietinho, observando tudo. Duas senhorinhas muito simpáticas ficaram horrorizadas quando perceberam que eu fui ao banheiro com ele no colo. Mas, como mãe-coruja que sou, não deixaria meu filho com estranhos, por mais cara de inofensivos que tenham.

Já em terra firme, e depois de uma boa noite de sono, fomos conhecer a cidade. Como meu filho adora dias claros, o primeiro foi um pouco decepcionante, pois uma chuvinha insistia em cair. Mas não forte o suficiente para nos segurar. Passamos pela avenida da praia rumo a Olinda, com a tia Ciça no volante no melhor estilo guia turístico. Não precisei andar muito pelo centro histórico para descobrir que crianças, ou melhor, bebês, não gostam de ter contato com o lado histórico do mundo. Ainda não. Se não tiver algo perdido entre os paralelepípedos para que eles possam sentir na mão e colocar na boca, nada feito. Ficar no carrinho, então, impossível. O Victor deixou isso muito claro nas várias tentativas de se soltar das cordinhas que o amarravam no meio de transporte.

Nesses casos, o melhor mesmo é ir com alguém que possa ficar com a criança enquanto a mãe visita as inúmeras lojinhas de artesanato local. Porque afinal, parece que as crianças percebem antes dos adultos que todas são apenas variações dos mesmos objetos. Na segunda loja o Victor já queria explorar outros ambientes e só sossegou quando a boa tia o pegou no colo e o distraiu com uma água de coco. Para deixá-lo feliz mesmo, só no dia seguinte, quando o sol deu o ar da graça e pudemos passar algumas horinhas na areia, com muito protetor solar e repelente – o mosquito da dengue também estava arisco no Recife.

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