de repente mãe

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Lembranças da UTI – Segunda parte

Setembro 21, 2008 · 7 Comentários

Fotos de Masao Goto Filho

Continuando o post anterior, eu soube que o Victor nasceria com lábio e fenda palatina ainda no ultrassom do quarto para o quinto mês. Isso nos deu tempo de preparar a cabeça e de nos programarmos sobre os passos que daríamos depois do nascimento. Conheci algumas mães que não tiveram a mesma sorte que eu, e rejeitaram o bebê logo após o nascimento. Bem, comigo foi diferente. E, ainda bem.

Foi por isso que conseguimos pesquisar que o Centrinho de Bauru, ligado à USP, era o melhor local para fazer a cirurgia. Que o ideal seria esperarmos ele completar quatro meses e alcançar ao menos quatro quilos para que a cirurgia trouxesse resultados satisfatórios, e não fazer com ele ainda na UTI, com a promessa de “sair dali bonitinho”. Como se a aparência de meu filho fosse o mais importante…

Esse tempo foi primordial para conversarmos com dentistas, fonoaudiólgos e psicólogos nossos amigos e amigos dos amigos para nos orientarmos sobre o melhor caminho. E, todos foram unânimes em nos indicar o Centrinho, e foi para lá que nos dirigimos. Mal havia saído da UTI neonatal, com 1,800 quilo, fizemos a viagem até Bauru para que a equipe médica pudesse conhecer nosso bebezinho. Essa primeira consulta foi apenas de “reconhecimento”. A queipe reforçou que a primeira cirurgia – para correção do lábio – seria feita apenas quando ele completasse quatro meses e desde que alcançasse quatro quilos. Para isso, alimentávamos o Victor de três em três horas – inclusive nas madrugadas – e semanalmente íamos ao pediatra para acompanhar o ganho de peso.

Com quatro meses, voltamos a Bauru e quase tive uma crise de choro quando a enfermeira tirou a roupinha dele e o peso: 3,8 quilos. Faltavam 200 gramas! Talvez por minha cara de tristeza e a insistência da Jana, minha amiga querida que estava me acompanhando, a enfermeira resolveu falar com a pediatra. e, ela liberou a cirurgia… Acho que nunca me senti tão aliviada, pois a frustração de termos batalhado tanto para que o Victor ganhasse peso em tempo recorde e ter faltado tão pouco era muito grande.

Mas enfim, a cirurgia foi liberada. Em menos de um ano, o Victor já passou por duas cirurgias corretivas, ambas com anestesia geral. E, em ambas meu coração ficava pequenininho quando eu tinha de entregá-lo para as enfermeiras o levarem para o centro cirúrgico. Mas ele tirou de letra.

Na segunda cirurgia, feita para para juntar o palato (céu da boca), realizada em janeiro de 2008, achei que seria muito mais invasiva que a primeira, e que a recuperação seria mais difícil. Que nada! Mesmo com os bracinhos imobilizados para não colocar as mãozinhas na boca e causar um trauma, ele não se deu por vencido. Com os braços esticados, pois as atas eram no cotovelo, ele continuou engatinhando e descobrindo o mundo. 

PS: estou colocando aparelho de correção nos dentes e nos últimos dias tenho sentido uma dor insuportável. Mas aí, lembro que meu filho passou por essas duas cirurgias super delicadas e doloridas e fico morrendo de vergonha de reclamar. Nessas horas me recolho, tomo um remedinho e me seguro. eu não posso sofrer mais do que um bebê!

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