Bullying? Os valentões que se cuidem…

A revista Veja desta semana traz na capa uma reportagem sobre a importância das escolas tratarem de maneira adequada casos de bullying entre seus alunos. Isso me fez refletir sobre o medo que eu tive – e ainda tenho – de que o Victor passe por esse tipo de situação por ter nascido com fissura lábio-palatal.

Muita gente acha que minhas apreensões são infundadas, mas aí faço um retrocesso para a minha própria infância e penso que pode ser perfeitamente possível. Magrela, pequena e míope, meu terror quando criança e mesmo quando adolescente, era o início do ano letivo, quando reunidos no pátio da escola, toda a turma era medida e pesada individualmente pelo professor de educação física na frente de todos. Pau de virar tripa, Olívia Palito e outros apelidos nada lisonjeiros eram gritados em coro a plenos pulmões. Mas as gozações acabavam ali. Não me lembro de eu ou meus colegas termos sofrido qualquer tipo de perseguição por conta de algumas diferenças. Mas me lembro que criança pode sim, ser bem malvada.

Lendo os relatos dessas crianças que sofrem perseguições até físicas por algo que ou outros consideram diferente, tenho arrepios. Fico imaginando qual será minha reação se meu filho for perseguido por ter nascido com os lábios separados por uma fenda e que ainda tem um caminho longo a percorrer até vencer o receio de usar a parte da frente dos lábios para articular alguns fonemas que ele ainda não usa, o que dificulta o entendimento de sua fala por algumas pessoas.

Será que me contentarei em falar com a direção da escola ou ficarei de tocaia na saída esperando o valentão ou valentona para ameaçá-los? Não duvido nada que a segunda opção – embora politicamente incorreta – seja a escolhida.

Até agora, entretanto, Victor tem se saído bem sem minha interferência. Corujice à parte, ele tem um carisma que o torna muito querido pelos coleguinhas e até agora, aos quatro anos, não sofreu nenhum tipo de discriminação. Ao contrário, adora fazer parte dos grupos e é sempre procurado pelos amiguinhos participar das atividades. Que continue assim, detestaria ser vista como a bruxa má que assombra criancinhas…

Foto de Masao Goto Filho

3 respostas para Bullying? Os valentões que se cuidem…

  1. Oi, Paty!
    Também tenho receio de quando a Luíza voltar para a escola. Não sei se você sabe, mas minha filha está fazendo quimioterapia. Ela deve alta em agosto e a médica disse que ela pode voltar para a escola em setembro. Ainda vai estar carequinha e eu temo pela reação dos colegas. Ela está no segundo ano e conheço bem as travessuras da classe dela. Por isso, tenho dúvidas: não sei se espero até o ano que vem, mesmo atrasando um ano letivo dela… ou se converso com a professora para tentar acalmar os ânimos dos amiguinhos… ai,ai… nem imagino minha filha sofrendo por isso depois de tudo que ela tem passado! Beijos para você e para o Victor

    • Oi, Rose. Não sabia da sua filhinha não. Perto disso, minha apreensão parece ridícula… Mas tenho certeza que irá encontrar a melhor saída. Realmente, não dá para imaginar que ela ainda tenha de passar por isso. Beijo as duas!

  2. Oi Rose e Pati, mãe é assim,né, sempre querendo proteger os filhos de tudo. Também sou assim com meu Edu, mas aos poucos tenhos tentando colocar na minha cachola que ele, na condição de um pequeno ser deste mundo, também vai ter suas decepções, seus erros, vai levar alguns nãos, assim como eu e todos nós. A vida é assim, né, imperfeita e por isso tão linda na sua imperfeição. Sorte para a Luiza, Victor e Edu!

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