Dezembro é mês de festa, de reflexões e de formatura. Pois é, meu filhinho, que nem completou ainda dois anos, participou de sua primeira festa de encerramento de ano letivo. E, foi vestido de peixinho dourado. Não me perguntem por quê. Só sei que o tema da festa da escola era o fundo do mar, e sobrou para os pequenininhos esse personagem.

Fotos de Masao Goto Filho
Dizem que os peixes não têm memória: no minuto em que realizam alguma coisa já a esquecem e com aquelas criancinhas não foi diferente. Foi muito divertido ver as professoras se esforçando para levar os pequenos para o meio do palco e os fazer seguir a coreografia que elas insistiam em dançar, enquanto para eles o que mais interessava eram as bolinhas de sabão que um aparelho engenhoso soltava no ar. Mas nem por isso foi menos emocionante. Ver meu filhinho entrando no palco com sua roupinha dourado e até com o chapeuzinho que durante toda a semana ele se recusou a provar, me rendeu um aperto no peito e algumas lágrimas nos olhos.
Não que eu ache que o que ele (não) fez foi fantástico. Não sou uma mãe tão patética (ainda), mas vê-lo enfrentando aquele mundo de gente, em um palco pouco iluminado, com luzes piscando, um som ensurdecedor e ainda assim se manter em pé, sem sair correndo ou ficar paralisado, me encheu de orgulho. 
O que me envergonhou foi o comportamento de alguns pais. Como a festa reuniu todas as turmas e foi feita em um anfiteatro fora da Esquilinho, formou-se uma fila na espera da abertura da porta, pois os pais entregariam os filhos para as professoras e deveriam se acomodar calmamente para assistir ao “espetáculo”. Qual não foi minha surpresa quando as portas se abriram e os pais, alucinados, invadiram o espaço como se estivessem disputando um lugar para a final do campeonato brasileiro e não a festa de encerramento de crianças cuja idade não ultrapassa seis anos!
Foi assustador ver senhores engravatados, damas de salto alto maquiadas e de cabelo feito, vovôs e vovós elegantemente vestidos desrespeitando uma fila que só permitiria a entrada no salão, que era enorme e acomodaria todos confortavelmente.
A dúvida que fica é que espécie de valores essas pessoas transmitem aos seus filhos? Se não conseguem respeitar uma fila de pais como eles, com crianças pequenas ao lado – algumas inclusive no colo – , devem achar comum também passar em sinal vermelho, falar ao celular enquanto dirigem, estacionar em vaga para deficientes e idosos demarcadas em espaços públicos e muitas outras coisas.
“Essa é a escola que nosso filho estuda”, foi o comentário jocoso feito por meu marido. Espero sinceramente, que esse comportamento seja restrido a alguns pais e avós, e que a escola consiga passar para as crianças deles, o que os mesmos desconhcem: sentido de cidadania.
3 respostas Até agora ↓
Fe Pressinott // Dezembro 15, 2008 às 4:29 pm |
Ai que delícia de peixinho!!! Tá tão lindinho!!!
Marcelo Azevedo // Dezembro 18, 2008 às 2:03 pm |
Oi Paty…é incrivel, mas só agora descobri que você tem este blog…(o da Monica eu descobri o mes passado), não costumo ler email´s em casa, a Gi que vê e me conta as coisas…Li todos os post´s e fiquei muito feliz em ver como você se tornou uma super mãe, e também uma excelente escritora…logo você publica tudo e vira best seller…Parabéns novamente…sei que estou em débito com você, mas isso não significa que goste menos ou que tenha deixado de me sentir seu amigo…Afinal , eu penso que a amizade é algo bem superior que não acaba nunca….Beijos
Márcia Rodrigues // Dezembro 21, 2008 às 9:17 pm |
Paty,
Seus princípios também são os meus princípios. E é muito bom ler um texto como este porque vejo que o mundo ainda “pode dar certo”. Afinal, mais de uma pessoa se preocupa em fazer as coisas certas e, de alguma forma, tormar o mundo diferente.
E vc já plantou a sua sementinha “o seu peixinho dourado”.
É isso ai, comadre!!!
Bjs,
Má