de repente mãe

Por que criança sofre?

Novembro 11, 2008 · 1 Comentário

Hoje no metrô, vi uma cena hoje que me partiu o coração: uma criança com um chupeta na boca, uma fralda no ombro e no colo do pai. Um pouco mais velho do que meu filho, talvez tenha três anos, a criança tinha os olhos tristes que ninguém deveria ter, menos ainda um menininho. Totalmente careca, com apenas alguns tufinhos de cabelo crescendo aqui e ali, o menino tinha na lateral da cabeça uma cicatriz que ia até a altura da nuca: prova de um tratamento doloroso ou uma doença ainda em fase de cura… De quando em quando o menino ensaiava uma reclamação do pai, que o apertava nos braços enquanto o trem seguia de estação em estação.

A cena me comoveu porque imediatamente me veio à mente a imagem de meu filhinho, que desde o nascimento passou por alguns procedimentos muito dolorosos para mim, mas que agora, pensando no quanto aqueles pais devem enfrentar, parece tão pouco. Meu filho também tem uma cicatriz, minúscula, no labiozinho, resultado da primeira cirurgia que fez por conta do lábio-leporino. Mas isso em nada interferiu no desenvolvimento afetivo dele até agora. O que quero dizer é que o Victor tem um olhar super expressivo, de quem só conheceu amor e carinho até agora. Ao contrário do garotinho do metrô, que apesar de todo o amor e cuidado que os pais deixavam transparecer, não eram suficientes para apagar a dor que talvez ele tenha sentido – ou ainda sente – por conta de uma doença que deve ter sio (ou ainda é), bastante grave.

 

Qual será o limite de sofrimento que alguém suporta sem que isso traga reflexos para o resto de sua vida? Quanto da experiência do que vive hoje ficará guardado com esse garotinho? Será que algum dia os olhos dele trarão um pouco mais do que a dor que ele passou? Será que a vida lhe guarda experiências tão fabulosas daqui para frente, que sejam fortes o suficiente para apagar o sofrimento que ele traz nos olhos?

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  • Estela // Junho 22, 2009 às 6:00 pm | Responder

    Ler as perguntas do último parágrafo do seu texto mexeu comigo, Paty. Acompanho seu blog e me identifico muito, desde a época em que estava grávida, só que até hoje não tinha escrito nada, talvez porque seja muito difícil falar sobre alguns assuntos. Mas ver essas reflexões sobre dor e sofrimento também me remeteram imediatamente às crianças que vi no hospital nas duas vezes em que o Rafael ficou internado (primeiro na UTI neonatal e depois tb na UTI quando teve bronquiolite). É muito duro, complicado mesmo, conviver e aceitar essas coisas. Como serzinhos tão pequenos e inocentes podem ser obrigados a passar por essas experiências?
    Mas acredito firmemente que nada é por acaso e que, de alguma forma, essas crianças são recompensadas em outras coisas. E que, no fim, tudo dá certo. Tem que dar.

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