Passado mais de um ano e meio do nascimento de meu filho, ainda me emociono todas as vezes que leio sobre UTI neonatal. Ao ver a capa da revista Época não foi diferente. Eles falaram sobre todos os procedimentos que o prematuros passam e quais conseqüências disso para a vida futura deles. Meu filho nasceu com 32 semanas, exato 1,155 quilo e pouco mais de 30 centímetros, depois de uma gravidez que não foi exatamente agradável. Passou 48 dias na UTI neonatal da Promatre, até conseguir alcançar o pouco mais de 1,800 quilo que precisava para ter alta. Depois que nasceu, levou mais de uma semana para que eu finalmente pudesse segurar meu filhinho no colo. Embora estivesse ansiosa para isso, também estava apreensiva pois aquele pedacinho de gente parecia tão frágil que eu tinha medo de quebrá-lo quando o pegasse. As costelinhas pareciam palitinhos de dente de tão fininhas.
Com pouco mais de 24 semanas de gravidez descobri que meu filhinho poderia ser prematuro porque eu não conseguia produzir líquido amniótico suficiente para alimentá-lo. Passei um mês em absoluto repouso, tomando seis litros de água por dia para tentar deixar a situação lá dentro mais confortável. Mas não adiantou muito. Feito uma biópsia da minha placenta, nada foi constatado cientificamente como razão para o problema. Aparentemente, era mesmo estresse. E, confesso que não foi pouco.
Tudo começou no dia em que fui fazer o ultrassom para saber o sexo do bebê. A seqüência de informações foi esta: “Você vai ter uma menino. Olha, aqui no coraçãozinho estou vizualizando um golf ball, ele também tem lábio leporino. Quantos anos você terá quando o bebê nascer?” Eu, já aos prantos, respondo 35 anos. “Bem, se fosse só o lábio leporino não seria nada, porque esse é um problema estetético, mas pela presença do golf ball e pela sua idade, esses sintomas podem significar que seu filho tenha algum tipo de síndrome. A mais leve seria a Síndorme de Down.” Bem, eu tinha ou não motivos para ficar estressada?
Claro que eu não queria que essas coisas me afetassem, mas foi inevitável. O pior de tudo é a pressão que os médicos fazem para que você realize todos os tipos de exames que custam caríssimos. Fragilizados, eu e meu marido queríamos logo saber se haveria algo errado. Por isso, me submeti a um exame chamado amniocentese, onde se coloca a agulha para colher o líquido amniótico e verificar o DNA do bebê. Se os 23 pares estiverem completos, perfeito. Senão, o exame nos mostraria que síndromes nosso bebê teria. Muito tempo depois fomos descobrir que esse exame já é quase uma rotina para mulheres acima de 35 anos, tenham ou não o ultrassom dado algum sinal de preocupação.
Pior do que ficar os dois dias após a realização do exame absolutamente imóvel, pois havia o risco de um aborto, foi ficar um mês inteiro na expectativa do resultado do exame, que acabou demorando além do necessário, pois havia um feriado no caminho (12 de outubro de 2006, me lembro muito bem) e no final, ele acabou sendo encaminhado para um consultório que não era o do meu médico. Enfim, depois de todo o estresse, graças a Deus não havia nada de errado com meu bebezinho. Não que uma síndrome ou anomalia deva ser assim considerado. Mas no fundo no fundo, todos queremos uma filho perfeito e lindo. Se não for como o imaginamos, o amor não diminui, mas é preciso um tempo para assimilarmos. Por isso, na minha opinião, se uma grávida tiver a chance de saber antes do bebê nascer, tudo sobre seu filho, melhor. Fica mais fácil aceitar e se preparar para conviver com esses serezinhos…
1 resposta Até agora ↓
Fe Pressinott // Agosto 25, 2008 às 5:15 pm |
O que importa é que ele é a coisa mias linda do mundo hoje ne? Sorte sempre. bjs