de repente mãe

Sete horas de estrada com uma criança

janeiro 31, 2010 · Deixe um comentário

DVD portátil, uma seleção variada de desenhos animados e filmes, livros das historinhas preferidas, CDs de música infantil, brinquedos, sucos e lanchinhos saudáveis. Não se trata de uma lista de presentes tardia, mas de um sugestivo kit sobrevivência infantil para pais que pretendem fazer viagens longas de carro – vamos considerar as que levem mais de três horas – para estressar o mínimo possível os pequenos. Pois acreditem, mesmo na familiar ventura de se tirar férias, pode sim haver longos e agudos choros impacientes, quase irresistíveis, por mais que no fim da estrada se encontre primos, praia e diversão.

No nosso caso, a cidade escolhida foi o Rio de Janeiro. Um casal e Victor, que acaba de completar três lindos e louros anos, percorrendo estradas de paisagens lindíssimas, que ligam duas cidades tão distintas, ou antagônicas. Da nossa casa até o ponto final, no Leblon, rodamos 429 quilômetros, que traduzidos em tempo, representaram sete horas e quarenta minutos. Nada mal se considerarmos as paradas para o cafezinho, almoço e o xixi… quer dizer, falamos de uma criança em estágio intermediário da fase de se “tirar as fraldas”, que é quando os pais perguntam a cada 15 minutos, “quer fazer xixi?”, como se isso limitasse a vontade dela em fazer xixi à hora que bem entende.

Mas vamos ao fundamental: a cadeirinha da criança – item obrigatório de segurança. O ideal é que seja macia e tenha regulagem para os momentos em que ela durma (e isso realmente pode acontecer). Uma dica é que os pais tenham familiaridade com a instalação da mesma, para poder retirá-la e recolocá-la sem ter que ir a uma loja especializada – inclusive da parte forrada – para o caso de uma emergência: por exemplo, trocar ou lavar o carro, ou um xixi (sim, o xixi) fora de hora, que os obrigue a remover a cadeirinha para lavar. Passamos por isso em duas ocasiões: na primeira, em plena Avenida das Américas, já no Rio. Victor até avisou com antecedência, mas quando o engarrafamento nos permitiu estacionar, já era tarde. Afinal, nesta idade e ainda se habituando a avisar que é a hora, foi impossível segurar. Mas de modo geral, é possível fazer as paradas coincidirem com a hora do xixi. No mais, dá até para parar na estrada e fazer no acostamento… sempre com o pisca alerta ligado.

No encosto do carona adaptamos o suporte para o DVD, que foi acionado ao final da segunda hora da viagem. Sempre observando pelo segundo espelhinho retrovisor, conseguimos entreter nosso passageiro VIP com esse recurso por cerca de uma hora, com os episódios do Cocoricó (que junto com os desenhos do Charlie e Lola, ocupa agora o topo de sua preferência). A reclamação, entretanto, não tardou. E a viagem – de ida – não estava nem na metade!

“Parada estratégica para o café da manhã!” Foi o suficiente para distraí-lo. De volta ao carro e ao DVD, seguimos viagem. Passando a metade do caminho e depois de uma soneca, paramos para almoçar. O restaurante tinha um playground improvisado que ajudou à distração, embora a maior diversão tenha sido o rottweiller de cerâmica em tamanho natural, que decorava a entrada. Fosse real, teríamos uma fatalidade, com a perda do cachorro.

Outra dica: em uma viagem com crianças pequenas é importante que os pais planejem bem as paradas e se lembrem que não se trata de um rally de regularidade. Também ajuda se a criança tiver uma companhia lá atrás. Portanto, é preferível que o piloto em alguns momentos viaje na frente sozinho e o carona faça companhia ao pequeno. Isso também facilita na troca das atividades, oferecimento de lanchinhos ou simplesmente para acalmar a criança quando mais nada conseguir fazer isso.

Chegada à Cidade Maravilhosa. Primos, praia e diversão, como o prometido. Como tempo, nossas sete horas e quarenta minutos foram melhor do que as nove horas de outrora. Teve a volta, com Victor bronzeado-fator-35 e as mesmas questões. Mas, olha, uma temporada pelo Rio de Janeiro só nos deixou, a todos, deliciados.

Este post é uma versão reduzida da matéria escrita, em família, para o Diário do Comércio. A íntegra pode ser acessado pelo (http://www.dcomercio.com.br/Materia.aspx?id=37616.)

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Três maravilhosos anos…

dezembro 24, 2009 · 4 Comentários

Pelo título deste post já dá para imaginar do que irei falar: pois é, o Victor faz três anos no dia 26. Este é o tempo que transcorreu desde aquela quente manhã de dezembro, um dia após o Natal, em que eu me dirigi tranquilamente para fazer mais um ultrassom, que àquela altura havia se tornado praticamente diário, e só voltei para casa três dias depois, eu e meu marido, sem o Victor, com o coração partido por termos deixado nosso filhinho na UTI neonatal da Promatre .

Nesse tempo, aqueles 1,155 Kg e 37 centímetros com que ele nasceu se transformaram em pouco mais de 14 quilos e atualmente, 88 centímetros. Foram três anos de muita correria, adaptações e mudanças, muitas mudanças. Mudei de casa, mudei de bairro, mudei de vida e mudei de assunto. Percebi neste tempo, que temas que até então me tiravam o sono, hoje me causam tédio! E que quaisquer 15 minutos a mais na cama fazem toda a diferença no meu dia. Dormir cedo passou a ser uma busca frenética pois, estando eu com ou sem sono, meu despertadorzinho acorda pontualmente às 6h30 – às vezes um pouquinho antes, mas muito raramente depois.

Foto de Masao Goto Filho

 As festas que frequento hoje têm hora para começar e acabar: normalmente são matinês e não ultrapassam às 20h30, horário limite da bateria do Victor. Ninguém acredita, mas quando esse horário se aproxima é como se ele desligasse da tomada… Afinal, no resto do dia ele está ligado no 220 e não, ele não é hiperativo. Apenas um garotinho que adora brincar, descobrir o mundo e passar o tempo que pode com seus pais (acho que é por isso que ele acorda tão cedo, para passar mais tempo conosco).

Por isso mesmo, hoje não faço mais balada e não sinto falta. Também não levo meu filho em festas e reuniões de adulto. Para quê? Para satisfazer uma necessidade minha de tentar conversar com gente da minha idade enquanto tento impedir que ele mexa nas louças, objetos de decoração e porta CDs? Francamente, não preciso submeter meu filho a isso. Posso parecer chata, mas sou apenas racional: lugar de criança, à noite, é em casa, dormindo. Quando quero encontrar alguém para conversar, deixo ele em casa com a minha ajudante – ou com meu marido, se o encontro não for com  ele - e saio. Assim, não preciso me procupar com um objeto que possa machucá-lo ou com uma louça que eu precise repor.

Então, amigos, não achem que eu me tornei uma chata depois que tive filho, eu me tornei mãe. E isso muda tudo. E para as mães de primeira viagem como eu, que se sentem culpadas por não dar a devida atenção aos amigos, um conselho: desencanem. Essa fase dos pequenos passam, mas os amigos permanecem e entendem. E até participam: topam nos encontrar na livraria no meio da tarde de domingo e colocar o papo em dia enquanto ajuda a segurar a fera que insiste em tirar todos os livros das prateleiras. Fingem que não sentem vergonha enquanto dividem a mesa conosco em um café e assistem, impassíveis (rá rá rá) o vendaval que pasa pela mesa destruindo bolo, espalhando suco e deixando as digitais na sua blusa impecável. E ainda pagam mico no buffet infantil – mesmo sem filhos – enquanto os pais babões tentam se dividir entre os convidados, dar atenção ao pequeno e controlar a emoção de ver o filho cantando parabéns sozinho e soprando a velinha…

Feliz ano novo a todos!

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Papai Noel existe…

dezembro 2, 2009 · 6 Comentários

A maternidade está fazendo de mim uma nova pessoa, e a cada dia eu me percebo fazendo coisas que sempre torcia o nariz quando via outros pais fazendo. Dividir a mesma refeição e os mesmos talheres é uma delas: às vezes a briga para que o Victor coma uma simples colher de arroz e feijão sozinho é tão desgastante que se torna mais fácil eu desviar o garfo que iria para a minha boca e colocar na dele. Ou até dividir a mesma colherada… um pouco para você, um pouco pra mim… a taxa de sucesso acaba sendo maior.

O pior é quando vem um espirro do nada e me vejo sem lenço, papel descartável ou algo que o valha para limpar aquele narizinho escorrendo. Bem, na falta de coisas tão óbvias, o jeito é usar os dedos para limpar aquela melequinha. E, na falta de algo melhor, o jeito é usar a barra da saia ou da blusa para disfarçadamente limpar as mãos, torcendo para que ninguém esteja de olho. Eu sei, é nojento, eu reconheço. Mas quando se tem filho, a tolerância para  o que é nojento ou não aumenta bastante (rá rá rá). Mas para quem me conhece, fique tranquilo: eu tomo o cuidado de sempre lavar as mãos a ntes de encontrar com os adultos.

Mas a maior mudança mesmo veio com o papai noel. Confesso que acho um porre esses “eventos” em que os pais se reunem para comemorar algumas datas, mas no último final de semana tive que me render e apresentar ao Victor o Papai Noel e reconheço que fiquei muito orgulhosa de vê-lo pegar o senhorzinho pelas mãos e conduzi-lo até a poltrona onde se sentou confortavelmente – não sem alguma desconfiança, mas achando tudo muito diferente e levando na maior seriedade. Depois da foto com o bom velhinho, ele voltou até lá para mostrar ao senhorzinho a foto dos dois. Tudo muito maduro para um garotinho que ainda não tem três anos…O que me leva ao começo deste texto, quando disse que me vejo faazendo coisas que sempre achei chatinhas: ser uma mãe coruja é o top de tudo. Amo meu filho mais que tudo, e acho que ele é de fato a criança mais esperta do mundo, sem falar que é extremamente carismático e carinhoso. Exagero de mãe? Pode ser. Mas quem vir o Victor nos próximos dias vai concordar. Desde que não tenha os próprios filhos, claro, porque competir com outra mãe coruja é covardia…

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E meu filho chegou ao mundo…

setembro 29, 2009 · 2 Comentários

De cabelo preso por uma touca, eu já não sentia minhas pernas e nem o pequeno corte que o bisturi fez logo abaixo da barriga. A máscara de oxigênio no rosto não permitia que eu visse minha imagem refletida nas luzes da sala de cirurgia. De repente, um gritinho estridente: era meu filho que nascia, cedo demais, com menos de 32 semanas de gestação. Mal pude olhar para seu rostinho, pegá-lo então, nem pensar. Em poucos segundos ele foi tirado do meu campo de visão para ser entubado.

É, entubado. Por ser prematuro, meu filho precisou de ajuda para respirar nas primeiras horas de vida. As três injeções de corticóide que tomei alguns dias antes ajudaram a amadurecer o pulmãozinho do Victor, e então ele pode respirar sozinho poucas horas após o nascimento. Mas até então, os médicos não sabiam se teria funcionado.

Depois disso, tudo ficou nebuloso e a última lembrança que tenho é de meu marido saindo da sala de cirurgia. Acordei então em uma sala branca e fria, completamente sozinha, com um cobertor enorme sobre meu corpo – embora fosse 26 de dezembro, um dia típico de verão. E ainda assim, eu sentia muito frio. Dormi e acordei, diversas vezes, no mesmo lugar. De vez em quando sentia a presença de uma enfermeira. Mas foi só no início da noite que pude ir para o quarto.

Ainda sonolenta pelo efeito da anestesia da cesariana, só consegui finalmente conhecer meu filhinho durante a madrugada. Separado de mim precocemente, ele precisou ficar na UTI neonatal – onde permaneceu por 48 dias, até completar 1,800 quilo. Pois é, além de prematuro, o Victor nasceu com exatos 1,155 quilo – peso que nos primeiros dias caiu para 1,100 quilo, pois é normal recém-nascidos perderem alguns gramas no período de adaptação fora do útero.

Quando finalmente encontrei a encubadora com meu filhinho dentro, confesso que não sabia se teria forças para aguentar: ali, perdido no meio da encubadora, que não tem mais do que 50 centímetros, vi meu filho pela primeira vez, e um misto de alegria e dor trouxe mutias lágrimas aos meus olhos.Não conseguia controlar os soluços, e sozinha que estava, ninguém podia me consolar. Fiquei alegre por ver que aquele serzinho era meu e brigava para sobreviver. Mas triste, muito triste, porque havia tubos, fios e luzes por todos os lugares: da mãozinha saía uma agulha ainda mais fina que suas veinhas, responsável pelo soro que o hidratava. No pezinho, do tamanho exato de um chaveiro, um fio era seguro por um esparadrapo, responsável em controlar o nível de saturação: cada vez que aquilo apitava, uma enfermeira vinha correndo verificar o que estava errado. E na boquinha, entrando pela fenda do nariz – o Victor teve lábio leporino e fenda palatina – e descendo pela garganta, um tubo bem fininho para alimentá-lo: era a sonda responsável em fazer meu bebê ganhar peso.

A imagem do todo era assustadora e aquele tubo entrando pela fenda passava a impressão de que machucava sua boquinha. Mas a pediatra tentou me tranquilizar dizendo que era a forma mais fácil e segura dele ser alimentado. A sonda era recolocada todas as vezes em que por algum motivo – agitação ou teimosia mesmo – o Victor a tirava. Cerca de dez dias depois, mais forte e impaciente, o próprio Victor arrancava a sonda sozinho, período em que os pediatras decidiram que ele já estava forte o suficiente para se alimentar com o conta gotas…

Estou relembrando esse episódio porque o filho de uma amiga acaba de passar por uma cirurgia delicadíssima. Ele só tem dez meses e está na UTI pediátrica, não por complicações, mas porque esse é o procedimento nesses casos. E, queria que ela, assim como outras mães ou tias, tios, primos, que passam por essa situação ou pessoas que ainda venham a passar, saibam que essa sensação de impotência também passa. As crianças são mais fortes do que pensamos, e tiram esses obstáculos de letra. Na verdade, acho que até mais do que nós, adultos. Achoq ue é por isso que não conseguimos trocar de lugar…

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Pequenas palavras, grandes vitórias

junho 17, 2009 · 11 Comentários

Foto de Masao Goto Filho

Foto de Masao Goto Filho

Encontrei neste fim de semana uma prima querida, que depois de 18 anos vivendo na Espanha, acaba de retornar para terras tupiniquins. Depois de um abraço apertado, a primeira frase que me disse foi: “me disseram que você se tornou um mãezona. Como o mundo dá voltas, logo você!”. Pois bem, logo eu.

A frase foi dita sem nenhum tom de deboche, apenas de surpresa, porque quem me conhece (bem) sabe que ser mãe não fazia parte de meus planos. E, não era da boca para fora: eu realmente nunca pensei na maternidade com muita seriedade. É verdade também que eu nunca a descartei completamente, mas há cerca de três anos, se alguém lesse o meu futuro e me dissesse que eu seria hoje essa mãe babona que eu sou, minha resposta seria uma sonora gargalhada.

Mas eis que o futuro se concretizou: tenho um filho de dois anos e cinco meses que a cada dia me dá mais certeza de ter feito a escolha certa quando decidi seguir com minha gravidez. Só agora, com quase dois anos e meio, é que ele ensaia as primeiras palavras e frases. Não sei se foi a prematuridade, o lábio leporino, a fenda palatina – ou a combinação de tudo isso – que prorrogaram o início da fala, mas o fato é que agora, a cada palavra que ele diz, parece uma vitória minha.

Esta semana, por exemplo, quando foi tomar o lanchinho da manhã, perguntei se ele queria morango ou carambola e literalmente chorei de rir quando ele respondeu “rrr ambola”. Imediatamente perguntei para a minha ajudante se ela tinha ouvido, que confirmou rindo. Repeti a pergunta ao Victor e mais uma vez ele disse a primeira síbala como uma espécie de “r repetido” emendado com o “ambola”. Para você, que está lendo este post, isso pode parecer uma besteira, e deve ser mesmo. Mas são coisas como essa, que se repetem no dia a dia, que me fazem ter orgulho da escolha que eu fiz.

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O galinho da madrugada

abril 15, 2009 · 8 Comentários

Passam alguns minutos das seis da manhã e eu mais sinto do que ouço seus passinhos se aproximando. Primeiro o barulho da porta batento suavemente na parede, depois as maõzinhas tocando o meu braço e finalmente, o mamãe para me despertar.

Desde que trocou o berço por uma caminha com grade, Victor descobriu que não precisa chorar para ter nossa atenção no meio da noite. Basta se levantar – o que ele faz com certa frequência – e se encaminhar para nosso quarto. Ali, ele faz charme para se deitar entre mim e o pai. Como manda a boa pedagogia, tentamos levantar com ele e colocá-lo para dormir novamente na própria cama. Mas confesso que às vezes o sono fala mais alto e me rendo aos maus costumes e passo o dividir o travesseiro com meu filho.

Se for de madrugada, tão logo ele dorme eu me levanto e o coloco novamente na cama. Se já for de manhã, tento simplesmente fazê-lo permanecer mais alguns minutinhos na cama e faço uma prece silenciosa para que ele caia no sono e eu possa dormir mais um pouco. Mas, meu anjinho sempre perde a batalha para o dele.

Desde que meu filho nasceu, não sei mais o que é dormir além das sete da manhã. Aliás, fico feliz da vida nos dias em que ele acorda às 7h30! O que acontece muito raramente, a média é mesmo 6h30, quase como um reloginho. E não há conversa que o faça ficar deitadinho esperando o tempo passar. A única saída é levantar, preparar o leite e acompanhá-lo no sofá enquanto se sacia.

Embora eu nunca tenha sido de dormir demais (acho que passar muito tempo na cama é uma forma de deixar de fazer outras coisas bacanas), confesso que sinto falta de dormir sem compromisso. Será que isso acontece com todos os pais de primeira viagem? Se sim, me contem quando essa fase vai passar…

Embora na maior parte das vezes o Victor tente me acordar, quando ele chora de madrugada é o pai que se levanta e o faz ninar. Mesmo sem combinar verbalmente, nos revesamos quando ele acorda ou quando vamos preparar a mamadeira. Um dia eu, outro ele, tentamos não sobrecarregar o outro. Sem querer puxar o saco, mas o Victor tem um paizão: acorda para dar leite, mesmo quando foi dormir mais tarde; troca fralda, dá banho e fica com ele numa boa quando tenho plantão de final de semana no jornal. Não que isso me surpreenda, não esperava outra coisa mesmo. Mas é bacana realmente dividirmos essas tarefas… Não sou só eu que tenho jornada dupla, o pai do Victor também tem.

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O tempo voa

fevereiro 24, 2009 · 7 Comentários

Parece victor1que faz poucos dias que amamentava meu filho sentadinho no colo, quase em pé, para que não se engasgasse com o leite por conta da fenda no céu da boca. Mas já se passou um ano desde que Victor realizou sua segunda cirurgia, desta vez para correção da fenda do palato. Por conta desse aniversário, estivemos em Bauru, no Centrinho, para mais uma consulta, desta vez de avaliação. Nosso cirurgião, Dr. Ricardo Almeida, vai verificar como a obra dele se comportou ao longo do último ano. Segundo a sua avaliação, correu tudo muito bem: a cirurgia cicatrizou direitinho, não ficou nenhum “buraquinho” e o fato do Victor falar “papai” direitinho, com o som do “p” certo, parece ser uma ótima notícia.

Segundo o Dr. Ricardo, falar o “p” siginifica que o palato está funcionando corretamente. Por conta disso, falar “papai” tem um significado que vai além do orgulho do pai: significa que nosso filhinho está se desenvolvendo corretamente na questão da fala – embora esteja demorando demais para tagarelar palavras inteiras para a nossa ansiedade.

Agora, teremos um espaço de três anos até retornarmos a Bauru. Isso mesmo, a próxima consulta lá será apenas quando o Victor estiver com cinco anos, idade que segundo o Dr. Ricardo, é quando ele estará falando tudo corretamente, formando frases completas e participando ativamente de rodas de conversas. Até lá, continuaremos com o acompanhamento na Funcraf, em São Bernardo do Campo, e com as visitas à fono.

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A busca por uma babá

janeiro 12, 2009 · 2 Comentários

Quem é mãe de primeira viagem e trabalha fora, sabe o quanto é difícil deixar o bebê em casa e voltar para o trabalho. No meu caso, a dificuldade nem era “deixar” meu filho – eu até precisava disso – era deixar meu filho com um completa estranha, sozinho, enquanto eu e meu marido estivéssemos trabalhando. Afinal, tanto a minha quanto a família dele estão bem distantes.

Muitas entrevistas depois e o tempo se esgotando, consegui escolher uma pessoa através de uma agência de emprego. A experiência foi boa, até eu descobrir que a despeito de todos os meus pedidos, ela passava uma boa parte do dia com meu filho na casa da vizinha, com a babá das gêmeas de quatro anos.

Nossa experiência seguinte veio para apagar o incêndio até conseguirmos arrumar outra pessoa. Mãe de cinco filhos (o mais velho com oito anos), nossa babá é filha da Marlene, uma paulistana arretada que há mais de dez anos cuida da casa de meu marido, e continua com a gente. Experiência com criança ela tem de sobra, e o carinho com que trata o Victor nos fez fazer vista grossa a outros detalhezinhos, como o pouco cuidado com as coisas da casa e outros afazeres além do quarto do Victor.

Tudo ia bem até o dia em que ela anunciou uma nova gravidez. A sexta! E, novamente vamos nós em busca de alguém centrado, que goste de criança e seja de confiança. E, eis que ela surge a partir de uma reportagem: meu marido a conheceu enquanto a fotografava como personagem para uma matéria de pessoas que dão pouca importância ao dinheiro, ganham pouco e vivem de bem com a vida.

Ficou tão impressionado com a atitude da Andréa que me contou a história. Alguns meses depois – coincidentemente com o período em que começamos a buscar alguém para substituir a babá grávida – eis que eles se cruzam e a Andréa diz que queria sair do emprego em que estava, a única coisa que a impedia era a falta de uma outra oportunidade. Bem, nós demos a ela essa oportunidade e eis que desde o final de dezembro, ela começou como a faz tudo lá de casa.

Boa sorte para a gente. Já tentamos agência e indicação. Quem sabe não será agora, quando o universo conspirou para essa coincidência, que não teremos encontrado a pessoa ideal?

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Meu peixinho dourado

dezembro 15, 2008 · 3 Comentários

Dezembro é mês de festa, de reflexões e de formatura. Pois é, meu filhinho, que nem completou ainda dois anos, participou de sua primeira festa de encerramento de ano letivo. E, foi vestido de peixinho dourado. Não me perguntem por quê. Só sei que o tema da festa da escola era o fundo do mar, e sobrou para os pequenininhos esse personagem.

Foto de Masao Goto Filho

Fotos de Masao Goto Filho

Dizem que os peixes não têm memória: no minuto em que realizam alguma coisa já a esquecem e com aquelas criancinhas não foi diferente. Foi muito divertido ver as professoras se esforçando para levar os pequenos para o meio do palco e os fazer seguir a coreografia que elas insistiam em dançar, enquanto para eles o que mais interessava eram as bolinhas de sabão que um aparelho engenhoso soltava no ar. Mas nem por isso foi menos emocionante. Ver meu filhinho entrando no palco com sua roupinha dourado e até com o chapeuzinho que durante toda a semana ele se recusou a provar, me rendeu um aperto no peito e algumas lágrimas nos olhos.

Não que eu ache que o que ele (não) fez foi fantástico. Não sou uma mãe tão patética (ainda), mas vê-lo enfrentando aquele mundo de gente, em um palco pouco iluminado, com luzes piscando, um som ensurdecedor e ainda assim se manter em pé, sem sair correndo ou ficar paralisado, me encheu de orgulho.    esim111208-a162p3

O que me envergonhou foi o comportamento de alguns pais. Como a festa reuniu todas as turmas e foi feita em um anfiteatro fora da Esquilinho, formou-se uma fila na espera da abertura da porta, pois os pais entregariam os filhos para as professoras e deveriam se acomodar calmamente para assistir ao “espetáculo”. Qual não foi minha surpresa quando as portas se abriram e os pais, alucinados, invadiram o espaço como se estivessem disputando um lugar para a final do campeonato brasileiro e não a festa de encerramento de crianças cuja idade não ultrapassa seis anos!

Foi assustador ver senhores engravatados, damas de salto alto maquiadas e de cabelo feito, vovôs e vovós elegantemente vestidos desrespeitando uma fila que só permitiria a entrada no salão, que era enorme e acomodaria todos confortavelmente.

A dúvida que fica é que espécie de valores essas pessoas transmitem aos seus filhos? Se não conseguem respeitar uma fila de pais como eles, com crianças pequenas ao lado – algumas inclusive no colo – , devem achar comum também passar em sinal vermelho, falar ao celular enquanto dirigem, estacionar em vaga para deficientes e idosos demarcadas em espaços públicos e muitas outras coisas.

“Essa é a escola que nosso filho estuda”, foi o comentário jocoso feito por   meu marido. Espero sinceramente, que esse comportamento seja restrido a  alguns pais e avós, e que a escola consiga passar para as crianças deles, o que os mesmos desconhcem: sentido de cidadania.

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Por que criança sofre?

novembro 11, 2008 · 1 Comentário

Hoje no metrô, vi uma cena hoje que me partiu o coração: uma criança com um chupeta na boca, uma fralda no ombro e no colo do pai. Um pouco mais velho do que meu filho, talvez tenha três anos, a criança tinha os olhos tristes que ninguém deveria ter, menos ainda um menininho. Totalmente careca, com apenas alguns tufinhos de cabelo crescendo aqui e ali, o menino tinha na lateral da cabeça uma cicatriz que ia até a altura da nuca: prova de um tratamento doloroso ou uma doença ainda em fase de cura… De quando em quando o menino ensaiava uma reclamação do pai, que o apertava nos braços enquanto o trem seguia de estação em estação.

A cena me comoveu porque imediatamente me veio à mente a imagem de meu filhinho, que desde o nascimento passou por alguns procedimentos muito dolorosos para mim, mas que agora, pensando no quanto aqueles pais devem enfrentar, parece tão pouco. Meu filho também tem uma cicatriz, minúscula, no labiozinho, resultado da primeira cirurgia que fez por conta do lábio-leporino. Mas isso em nada interferiu no desenvolvimento afetivo dele até agora. O que quero dizer é que o Victor tem um olhar super expressivo, de quem só conheceu amor e carinho até agora. Ao contrário do garotinho do metrô, que apesar de todo o amor e cuidado que os pais deixavam transparecer, não eram suficientes para apagar a dor que talvez ele tenha sentido – ou ainda sente – por conta de uma doença que deve ter sio (ou ainda é), bastante grave.

 

Qual será o limite de sofrimento que alguém suporta sem que isso traga reflexos para o resto de sua vida? Quanto da experiência do que vive hoje ficará guardado com esse garotinho? Será que algum dia os olhos dele trarão um pouco mais do que a dor que ele passou? Será que a vida lhe guarda experiências tão fabulosas daqui para frente, que sejam fortes o suficiente para apagar o sofrimento que ele traz nos olhos?

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